Steve Jobs
inventor, empresário e magnata norte-americano, co-fundador da Apple (1955–2011)
Steven Paul Jobs (São Francisco, 24 de fevereiro de 1955 – Palo Alto, 5 de outubro de 2011) foi um inventor, empresário e magnata norte-americano do setor da informática. Notabilizou-se como cofundador, presidente e diretor-executivo da Apple Inc. e por revolucionar seis indústrias: computadores pessoais, filmes de animação, música, telefones, tablets e publicações digitais. Além de sua ligação com a Apple, foi diretor-executivo da empresa de animação por computação gráfica Pixar, e acionista individual máximo da The Walt Disney Company. Morreu no dia 5 de outubro de 2011, aos 56 anos de idade, devido a um câncer pancreático.
No final da década de 1970, Jobs, em parceria com Steve Wozniak e Mike Markkula, entre outros, desenvolveu e comercializou uma das primeiras linhas de computadores pessoais de sucesso, a série Apple II. No começo da década de 1980, ele estava entre os primeiros a perceber o potencial comercial da interface gráfica do usuário guiada pelo Mouse (informática), o que levou à criação do Macintosh.
Após perder uma disputa de poder com a mesa diretora em 1985, Jobs foi demitido da Apple e fundou a NeXT, uma companhia de desenvolvimento de plataformas direcionadas aos mercados de educação superior e administração. A compra da NeXT pela Apple em 1996 levou Jobs de volta à companhia que ele ajudara a fundar, sendo então seu CEO de 1997 a 2011, ano em que anunciou sua renúncia ao cargo, recomendando Tim Cook como sucessor.
Em 2015, houve o lançamento do filme biográfico Steve Jobs, que conta parte da vida do cofundador da Apple Inc., remetendo à lançamentos feitos no período entre 1984 e 1998 como o Apple Macintosh, NeXT Computer e o iMac G3. A produção teve sua estreia, em 5 de setembro, no Tellurid Film Festival. A atriz Kate Winslet ganhou o Globo de Ouro e o BAFTA como melhor atriz-coadjuvante por seu papel, além de ter sido nomeada também para o Óscar na mesma categoria. O ator Michael Fassbender também concorreu ao Óscar de Melhor Ator, por interpretar Jobs. O filme ganhou o Globo de Ouro de melhor roteiro, escrito por Aaron Sorkin.
Primeiros anos
Nascimento
Steven Paul Jobs nasceu em São Francisco, filho de Joanne Schieble Jandali Simpson, nascida em Wisconsin, e de Abdulfattah Jandali, membro de uma proeminente família síria proprietária de poços de petróleo, empresas e propriedades agrícolas. O casal se conheceu em meados da década de 1950 na Universidade de Wisconsin. Os pais de Joanne, alemães católicos, eram contra o relacionamento. Em 1954, o casal viajou escondido para a Síria. Jandali apresentou sua família a Joanne, que ficou hospedada na casa do namorado, mas a família dele não aceitou Joanne, que era americana, e eles queriam que o filho seguisse a tradição e se casasse com uma muçulmana. Ao voltarem para Wisconsin, Joanne se desesperou ao descobrir a gravidez e comunicou o fato a Jandali, que ficara muito assustado, mas decidido a assumir o bebê. No entanto, foram proibidos de se casarem pois as duas famílias eram contra a união. Quando descobriram o bebê, a família de Joanne e a de Jandali, por ser contra o aborto, queriam que entregassem o bebê para a adoção, ou os dois perderiam a herança da família. Sem alternativas e nem como se sustentar até arrumar um emprego, Jandali voltou para a Síria, abandonou os estudos e começou a trabalhar, prometendo juntar dinheiro para tentar ter como criar o filho. Joanne viajou para São Francisco sozinha, a mando dos pais, onde ficou num abrigo, sob proteção de um médico que cuidava de mães solteiras, fazia partos e cuidava de adoções sigilosas. Os meses se passaram e Jandali não mandava notícias. Por mais que quisesse ficar com o bebê, não poderia criá-lo sem um lar e sem um pai presente. Após dar a luz em um parto sofrido, Joanne não quis entregar o bebê, e resistiu bastante até ser convencida pelo médico que era o melhor a se fazer. Mesmo depressiva, pensava no futuro do bebê, e exigiu que seu filho fosse adotado por um casal com pós-graduação universitária, pois queria um futuro brilhante para ele. Inicialmente, o bebê seria adotado por um advogado e sua esposa, que acabaram desistindo da adoção após o parto, pois queriam uma menina.
Após a recusa do primeiro casal, Joanne criou uma vaga esperança de ficar com o bebê e ainda aguardava notícias de Jandali, mas as semanas se passaram e um novo casal procurou o abrigo. Sem ter como esperar, já que seus pais foram buscá-la a força, o bebê foi deixado sob guarda de Paul Reinhold Jobs, mecânico e ex-membro da guarda costeira, e Clara Hagopian Jobs, filha de imigrantes armênios. Inicialmente Joanne recusou-se a deixar o abrigo com seus pais e a assinar os papéis da adoção, pois além de amar o bebê, o casal não tinha completado o segundo grau e Joanne temia um futuro miserável ao filho. O impasse só terminou após Paul assinar um compromisso de criar um fundo para enviar o menino à faculdade; assim, a jovem foi embora com os pais, triste e infeliz, esperançosa para reencontrar Jandali. Após meses, Jandali procurou Joanne, mas a família dela impediu a aproximação. Com isso, Joanne saiu do país e foi estudar em um internato. Os anos se passaram, e após estarem com suas carreiras consolidadas e independentes, ambos se reencontraram. Depois de um tempo de brigas e acusações, acabaram não resistindo à antiga paixão e, mesmo sem a aprovação das famílias, mesmo perdendo a herança, casaram-se no civil e no religioso. Juntos tiveram uma menina, Mona Simpson, e passam a investigar o destino do filho dado para adoção.
Juventude
Em 1955, o casal Jobs adotou um menino recém-nascido, a quem batizam de Steven Paul Jobs em um loteamento em Mountain View ao sul de Palo Alto. Em seu novo lar, Paul Jobs mergulhou no passatempo de reformar e vender carros usados. As primeiras lições sobre design foram aprendidas durante o tempo em que Steve passava na garagem com seu pai, que tentava, infrutiferamente, ensinar sobre os princípios da arte da mecânica automóvel. Dois anos depois, o casal adotou uma menina recém-nascida, a quem batizam de Patty Jobs. Clara Jobs havia sido casada com um capitão do exército, que faleceu durante a guerra. Antes, porém, teve uma gravidez ectópica (fora do útero), sofrendo um aborto espontâneo e não podendo mais engravidar. Encontrou em Paul um marido carinhoso e compreensivo, que abdicou de ter filhos biológicos e, junto da esposa, compartilhou seu sonho de adoção.
A atmosfera tecnológica adquirida por Palo Alto a partir da década de 1960 inspirou o jovem Steve a se aprofundar no campo da eletrônica, descoberta durante as horas passadas na garagem de casa. Durante o nono ano do ensino fundamental, Jobs começou a visitar a garagem do engenheiro Larry Lang, que o introduziu no Clube do Explorador da Hewlett-Packard, um grupo de estudantes que reuniam-se semanalmente no refeitório da empresa. Em pouco tempo, Jobs conseguiu um emprego na empresa e começou a se aprofundar em atividades culturais como literatura e música. Na eletrônica, passaram a frequentar as aulas dadas por John McCollum, durante o último ano do ensino médio. Nesse curso conheceu Stephen "Steve" Wozniak, cujo irmão mais novo era colega de Jobs na equipe de natação. A amizade entre os dois Steves mostrou-se frutífera desde o início. Ambos eram apaixonados por eletrônica e por "pregar peças".
Um dos marcos do espírito "brincalhão" da dupla foi a criação de uma versão de um dispositivo que permitia a realização de chamadas de longa distância de graça, a partir da emissão de um som com frequência de 2 600 hertz chamada de "Caixa Azul" ou Blue Box. O som com essa frequência servia como "chave de encaminhamento de chamada da rede telefónica". A dupla de amigos começou a vender o equipamento a 150 dólares. A ideia para a construção do equipamento surgiu de uma reportagem da revista Esquire intitulada “Segredos da pequena Caixa Azul”. “No meio dessa longa reportagem, tive de ligar para meu melhor amigo, Steve Jobs, e ler partes dela para ele”, lembrou Wozniak. A reportagem revelava que outros tons serviam como sinais de frequência única dentro da banda para encaminhar chamadas e que podiam ser encontrados numa edição da revista "Bell System Technical Journal". Numa tarde de domingo em setembro de 1971, Jobs e Wozniak invadiram a biblioteca do SLAC (Stanford Linear Accelerator Center) para obter a publicação. Inicialmente a Caixa Azul era usada apenas para diversão. É folclórica a história em que Wozniak, fingindo ser Henry Kissinger ligou para o Vaticano para tentar falar com o Papa João Paulo II. A brincadeira tornou-se negócio após Jobs perceber o potencial do equipamento. O preço de custo para cada unidade era de quarenta dólares e o equipamento seria vendido a 150 dólares. Adotando apelidos como Berkeley Blue (Wozniak) e Oaf Tobark (Jobs) a dupla começou a vender os equipamentos. Nas demonstrações, ligavam para o hotel Ritz em Londres, ou para um serviço de piadas na Austrália. Os negócios com a Caixa Azul terminaram quando a dupla foi roubada por um cliente armado numa pizzaria. O empreendimento seria considerado por Jobs e Wozniak como um marco que permitiu a criação da Apple, pouco tempo depois. “Se não fosse pelas Caixas Azuis, não teria existido uma Apple. Tenho certeza absoluta disso. Woz e eu aprendemos a trabalhar juntos, e ganhamos a confiança de que podíamos resolver problemas técnicos e pôr efetivamente algo em produção.”, afirmou Jobs.
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